quinta-feira, 23 de abril de 2009

Do meu lado


Do meu lado no banco, sentado
Tem um moço, novo e corado.
É filho dum caboclo.
Nasceu na cidade.

Acorda e se esparrama na cama.
Mulher ta na cozinha pequenina, mínima.
Os menino tão durmino.

Numa piazinha de metal na frente dum buraco,
O qual chamam janela, mulherzinha mimosa faz café.

Levanta então...
O filho do caboclo.
Café fraco
Toma tudo
Corre com pressa
Vai entrá na lotação
A primeira.


Vida triste...
Repete mesma coisa todo dia.
Repetição estranha de dias mesmos:
Casa
Ônibus
Construção
Cimento
Gritaria
Almoço barato
Ropa suja
Mão áspera
Costa torta
Dinhero curto.

Então ele volta.
Taciturno de cansado.
Quase dorme no caminho...
Pensa poco...
Procura não pensá,
Não qué...
Pra quê?
Pra se dá conta da monocórdia vida triste,
Vida mesma,
Vida pobre...



Chegô!
Mulher saiu.
Foi pro culto.
Comeu sozinho o prato ca comida fria e foi durmi.
Nem ligô pros menino...
Ah! Os menino...
Tão por ai.
Dez da noite...
E os menino tão por ai.
Arma ainda não vi no caminho dos menino
Mas onde será que tão?

Mas o filho do caboclo tem que durmi.
Não tem tempo
Acorda cedo
Pega lotação
Senta do meu lado
Pra continuá a vida poca.
Continuá a luta pelo poco da vida
Da vida pobre
Vida mesma no barraco

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi...Passei por aqui amor...E sem vc pedir!!! =] Te amo

Anônimo disse...

AAAA e eu gostei desse!! Tá mto bom..