sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Tragédia da vida privada I

O que é a amizade? Ou melhor, o que se espera dela?
Talvez lealdade, talvez verdade, talvez compreensão... Mas ela, a amizade, é construída por pessoas, que pelo discurso constroem suas imagens, e nem sempre o que está no discurso é a verdade.

Que belo! Pessoas que têm algo em comum confraternizam-se, trocam confidencias, juram fidelidade, lealdade e compreensão. Mas quem confia nos homens? Eles mentem... E engraçado como essas juras só aparecem em momentos de prazer e diversão, num hedonismo inerente aos indivíduos de nosso tempo. Precise de alguém e vai ver. Tente dizer a verdade ao invés da cega concordância. Desvie os olhos de suas coisas perto deles, dos amigos, dos amados amigos falsos. Será ignorado, será achincalhado, será roubado!

Penso então: Pelo menos ao serem descobertos em alguma deslealdade manteriam a dignidade, assumindo seus atos, pedindo desculpas (embora muitos desses atos não mereçam perdão). Que isso? Esperar o ideal dos outros é um erro, e esperar dignidade deles é erro pior. Não, os desleais não têm dignidade, eles destorcem a verdade, mentem, exageram, para que o mundo não os enterre, para que suas figuras não fiquem tão mau pintadas no quadro da sinceridade.

E assim segue a vida, uma tragédia escrota. A gente vê tudo isso, sofre com amigos-inimgos, e ainda assim confia-se novamente, descobrem-se outras pessoas e nossos segredos começam a voar de novo, para os ouvidos dos nossos necessários amigos... Talvez a sorte bata à nossa porta, talvez nos surpreendam pessoas que realmente cumpram com o que dizem, tenho fé, elas existem, mas são poucas, jóias que têm de ser cuidadas, para que a verdade dure nesse meio raro de sincera amizade.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Anticlaustrofobia

À noite...
De tão pouco fazer
Tudo ficou pequeno
Pequeno como uma toca
Do tamanho do tédio

No céu o preto
O escuro maior que o mundo
Era eu.
Do tamanho do nada
Morria com a perna pra cima
Preocupado com bundas
Beijando puras moças de rua.
A luz não pegaria meu mundo
Ele se afogaria profundo

Poucos anos
Tempo curto
Desculpa de um bobo
Comia biscoito
Vendo comédias
Com chinelo de dedo

Um lugar comum
Aos que vivem de esforço nenhum
Aos que vivem de cueca
De baixo de travesseiros
Coberto não tenho frio
Trancado não fico feio

Depois da porta
Parede dos lados
Chão e teto
Poucos metros quadrados
Fico grande
Num mundo sem tamanho
Mundo meu
Só meu
Perfeito.
Os olhos que não o vêem
Não difamam, não degradam
Mas tem meu elogio
Meu doce mundo sem medo
Porque não o inventei aqui