sexta-feira, 3 de abril de 2009

1991

Muitos metros acima do chão,
Sustentado por quilos de cimento e ferro.
Trancado, como que me protegendo covardemente...
Como, leio, penso, ensaio uma revolução.

Comovido com fatos, homens, fomes.
Que não conheci, não vi, não experimentei,
Ensaio uma revolução; sozinho.
Pobre.
Sem teorias nem ideologias dogmáticas eu a quero;
mas é só o que tenho!

Um eremita, rodeado por uma multidão desses.
Não quero a verdade,
Nem os outros a querem.
Isolam-se atrás de fones de ouvido, de paredes, folhas de jornal ou uma cara amarrada.
Estão a muitos universos da cadeira do metrô, dos fatos, fomes e cobras.

Assim como eu, um ser alheio-indignado-enganado, todos os dias,
Por jornais, propagandas, ensaios e livros.
Em nada sou empírico.
Somente enganações, em forma de letras ordenadas, absorvi.
Assim, ensaio uma revolução.

Aquela, que, com razão, dizem ter morrido.
E sucumbiu no abismo do século
Mas ouçam!
Essa não era a revolução...
Porque, assim como eu a ensaio hoje, outros a fizeram.
Por isso permaneço mudo.
Não quero os lixos do passado
A anti-revolução.

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