
Até agora, os homens formaram sempre idéias falsas sobre si
mesmos, sobre aquilo que são ou deveriam ser. Organizaram as suas
relações mútuas em função das representações de Deus, do homem
normal, etc., que aceitavam. Estes produtos do seu cérebro acabaram
por os dominar; apesar de criadores, inclinaram-se perante as suas
próprias criações. Libertemo-los portanto das quimeras, das idéias,
dos dogmas, dos seres imaginários cujo jugo os faz degenerar.
Revoltemo-nos contra o império dessas idéias. Ensinamos os homens
a substituir essas ilusões por pensamentos que correspondam à
essência do homem, afirma um; a ter perante elas uma atitude crítica,
afirma outro; a tirá-las da cabeça, diz um terceiro e a realidade
existente desaparecerá. (A Ideologia Alemã - Karl Marx Friedrich Engels)
(...) Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava
a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás do seu
véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa
brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as
cores, mas as próprias coisas e seres, tornando-os, por essa maneira,
duplamente invisíveis. (José Saramago, Ensaio sobre a cegueira)
SÓCRATES – Figura- te agora o estado da natureza humana, em
relação à ciência e à ignorância, sob a forma alegórica que
passo a fazer . Imagina os homens encerrados em morada
subterrânea e cavernosa que dá entrada livre à luz em toda
extensão. Aí , desde a infância, têm os homens o pescoço e as
pernas presos de modo que permanecem imóveis e só vêem os
objetos que lhes estão diante. Presos pelas cadeias, não podem
voltar o rosto. Atrás deles , a certa distância e altura, um fogo
cuja luz os alumia; entre o fogo e os cativos imagina um
caminho escarpado, ao longo do qual um pequeno muro parecido
com os tabiques que os pelotiqueiros põem entre si e os
espectadores para ocultar - lhes as molas dos bonecos
maravilhosos que lhes exibem.
GLAUCO - Imagino tudo isso.
SÓCRATES - Supõe ainda homens que passam ao longo deste
muro, com figuras e objetos que se
elevam acima dele, figuras de homens e animai s de toda a
espécie, talhados em pedra ou madeira. Entre os que carregam
tai s objetos, uns se entretêm em conversa, outros guardam em
silêncio.
GLAUCO - Similar quadro e não menos singulares cativos!
SÓCRATES - Pois são nossa imagem perfeita. Mas, dize-me:
assim colocados, poderão ver de s i mesmos e de seus
companheiros algo mai s que as sombras projetadas, à claridade
do fogo, na parede que lhes fica fronteira? ( Platão )
Falsificam-se os eventos, já que não é propriamente o fato o que a mídia nos dá, mas uma interpretação, isto é, a noticia. ( Milton Santos – Por uma Outra Globalização)
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