quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Comedor de Sonhos

Quem comeu o sonho?
Mastigaram -no, tornando -o partícula pequena do tecido que o continha.
Sonhar me deixou feliz, enquanto, entediado, pensava no futuro que me aguardava.

Ele me fez viver bem enquanto a realidade era viva nele.
Agora, a partícula pequena da possibilidade tornou-se esperança,
Pouca, mas viva.

Achar que o devaneio seria real tornou-me arrogante,
Contei com a mentira e a incerteza,
Mas como tudo que se apóia nisso...
O que construí caiu rapidamente.

Mergulhei, bobo, na possibilidade da grande conquista sem esforço.
Esse foi o motivo do pouco merecimento.

Desperto ligeiramente decepcionado com o despertador,
Porque tirou-me a realidade desacordada da certeza perfeita,
Que a inconsciência da noite me trouxe.

Conformo-me a contento, e agora sei:
O esforço é inevitável pois a competição é certa.

Percebo, portanto, que o devorador do sonho foi minha própria certeza nele.
Foi bom sonhar.

2 comentários:

Mary disse...

só pra vc não falar q eu não comento!!!
eu te amooo
beijos

Nir Boukouvalas disse...

O despertar de um sonho às vezes parece tão cruel.

E nossas vidas nunca parecem plenas, por mais que busquemos nossos sonhos. Por mais que fingimos que tudo vale a pena.

Beijos, Rapha.